sábado, 12 de janeiro de 2008

De Mãos Dadas

"De repente tudo pára.
Como o mar que toca nossos pés
Como a lua apaixonante sobre nós
Como estes espíritos flutuantes sobre o chão
O mundo pára ao ver-nos de mãos dadas.
Há somente o silêncio vivendo lá fora
Aqui ouvem-se os gritos das vozes desesperadas
Clamando por liberdade... Deixem-nos amar!
Tudo pára.

Antes o tempo torturava-nos
Antes o espaço distanciava-nos
Vivíamos na angústia do futuro incerto.
Desejar e não tocar, permanecer e fenecer...
Num estranho prazer masoquista de querer
Acordávamos assustados pela volúpia ardente
Em sonhos nos chamavamos com gritos sufocados.
Mas sabíamos: tudo pararia.

Olhemos em nossos olhos brilhantes e profundos
Temos a vida do mundo entre nossos dedos enlaçados
Podemos decidir o futuro, ele nos pertence agora.
Espalhemos o amor por aí com cores e flores e beijos.
Deixemos as noites e os dias mais perfeitos.
Levemos luz aos corações empobrecidos pelo ódio.
Faça-se nosso mundo. Tudo parou.

Nós paramos.
Por que haveríamos de mudar o mundo que nos uniu?
Se tudo fosse diferente ainda estaríamos de mãos dadas?
Tudo deu-se porque assim o acaso permitiu.
Se o acaso se rendeu ao nosso amor e fez o mundo parar
Devíamos nos render também ao nosso amor.
Para que pensar? Para que mudar?
Tudo que precisávamos estava ali.
Nós dois. Pelo resto da eternidade. De mãos dadas.

O mundo parou e nos sorriu e voltou a mover-se.
O tempo continuou a passar e os ponteiros seguiram-se.
O silêncio desfez-se e o mar cantou seu canto
A lua brilhou e os espíritos voltaram para casa.
Podíamos mudar o mundo. Mas com qual finalidade?
Não interessava-nos se havia mar, lua ou espíritos.
Se havia vida, pessoas, cores, flores ou pássaros.
Se estávamos juntos não precisávamos do mundo.
O acaso nos mostrou o poder do nosso amor
Capaz de parar tudo...
Tudo parará e seguirá.

Deitamos na areia e beijamo-nos.
O tempo pára somente para nós.
Este momento é eterno para os nossos corações
Porque assim haveria de ser...
Tornemos nosso amor eterno e mais nada
Pois um dia fomos capazes de parar a vida
E continuar vivendo..."

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